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much. Chats: uma entrevista com Nadja Planic

28 de maio de 2024

Estamos de volta com uma nova entrevista da nossa série! Recapitulando: convidámos vários membros da nossa equipa para uma série de entrevistas em que exploramos o que pensam sobre trabalhar em consultoria, trabalhar na much. e muito mais!

Desta vez, convidámos Nadja Planic, a nossa responsável pelo setor da indústria, para uma conversa em que partilha a sua história nas suas próprias palavras.

A Nadja não é apenas uma peça-chave das nossas operações de consultoria na much., uma vez que lidera o nosso departamento do setor da indústria a partir do escritório de Munique; é também um membro muito valorizado da nossa equipa. Falou-nos da sua carreira, de como se afirmou como mulher numa área dominada por homens, da sua forma de capacitar uma equipa e até do motivo por que criou uma noite das raparigas no escritório. Eis o que a Nadja nos contou:

Em criança, o que queria ser quando fosse grande?

É difícil, porque nunca tive um objetivo concreto, mas sim muitos interesses… Mesmo quando tive de decidir o que estudar, foi do género «Oh, bolas». Mas, para mim, ia ser sempre informática. Tive o meu primeiro computador aos 8 anos, e foi aí que comecei a trabalhar com computadores. Em parte, também foi por causa do meu pai. O meu pai sempre me disse que, como mulher, tinha de aprender algo que pudesse utilizar, para não depender de ninguém. A informática interessava-me porque é feita de enigmas, como a programação: como posso resolver isto? E também de construir coisas: montei o meu primeiro PC quando tinha uns 12 anos. Por isso, diria que foi sempre a informática, mas demorei algum tempo a decidir o que queria realmente fazer.

Então, como acabou na consultoria? Qual foi o percurso até chegar a responsável pelo setor da indústria na consultoria de TI?

Para ser sincera, foi pura coincidência, porque comecei a estudar Economia e, na verdade, interessava-me mais por Marketing. Comecei um curso dual aqui na Alemanha,  em que se trabalha e estuda ao mesmo tempo, e tive de procurar uma empresa que me aceitasse como trabalhadora-estudante. E acabei numa startup de TI. Foi a primeira vez que me envolvi mais com a informática, e isso mostrou-me que este gosto pela área era algo que devia seguir. Recebi a confirmação de que não  era tudo imaginação minha e de que tinha, de facto, os conhecimentos para chegar longe. Basicamente, comecei como estudante de Marketing e acabei como Product Manager.

Foi um grande processo de autodescoberta… Para dar um pouco de contexto, eu era muito tímida e introvertida, e não acreditava em mim. Passei muito tempo a trabalhar em mim própria para encontrar confiança para fazer o que queria. A informática sempre foi um mundo de rapazes, um espaço de homens brancos. E, como mulher, tive de pensar em como podia entrar ali e fazer a diferença. Perguntava-me muito: «Devo fazê-lo? É realista achar que tenho o talento e os conhecimentos para conseguir?». Mas, à medida que a minha mentalidade se foi fortalecendo, tornou-se mais fácil tomar esta decisão. 

Para além disso, nunca terminei Marketing porque o meu pai faleceu… e esse foi o ponto de viragem para perceber que a vida é demasiado curta. Não devia fazer coisas que não queria fazer. Por isso, segui em frente com a informática e provei que foi a decisão certa.

Quando estava a fazer essa transição para a informática, que conselho daria à jovem Nadja nessa situação?

Tenha calma, aproveite a vida. Passei a correr por algumas fases da minha vida e, quando olho para trás, penso… talvez devesse ter aproveitado mais a experiência. Mas tenho de dizer que não mudaria nada, porque foi isso que me tornou quem sou hoje. É também o que digo aos meus juniores: não tenham pressa. Não tenham pressa e aprendam bem as bases. É como construir uma casa: se não houver alicerces sólidos sobre os quais construir, mais cedo ou mais tarde surgem problemas. Por isso, não tenham pressa. 

Não tenham pressa e aprendam bem as bases. É como construir uma casa: se não houver alicerces sólidos sobre os quais construir, mais cedo ou mais tarde surgem problemas. Por isso, não tenham pressa.


Como fez a transição para líder de equipa? Quais são as melhores competências para ter sucesso no nosso setor e como ajuda os seus juniores a alcançá-lo? 

Uma competência é, sem dúvida, o conhecimento: é preciso saber abordar uma situação e compreender um processo. Mas isso é tudo conhecimento teórico, que a certa altura se pode aprender. A segunda pode parecer um pouco tola, mas somos o principal ponto de contacto do cliente no dia a dia. A certa altura, o cliente também vai ter frustrações. Por isso, também precisamos de competências interpessoais, como a empatia, para conseguirmos sentar-nos e passar a nossa mensagem, compreendendo o cliente e dando-lhe apoio. Mas não se trata só de saber lidar com os clientes. Na equipa, não tenho de saber tudo: tenho de tirar o máximo partido dos conhecimentos da minha equipa. É isso que dá o apoio necessário para fazer o trabalho. É um pouco como ser terapeuta do cliente, muito trabalho de equipa e também gerir-se a si próprio. 

No fim de contas, digo sempre aos meus juniores que, desde que deem o seu melhor e me possam dizer que deram o seu melhor e tentaram tudo, mesmo que façam algo errado, nunca vou ficar zangada. Porque deram o seu melhor, e é tudo o que posso pedir. Basicamente, tento ser a pessoa de quem eu precisava quando comecei a trabalhar.

Passando ao tema da much.: com qual dos nossos valores se identifica mais?

Inclusão. Representa o meu desejo de incluir todos, de conseguir dar resposta a todas as pessoas da minha equipa e de outras equipas. É por isso que organizo noites das raparigas aqui na much., porque as raparigas também precisam de um espaço onde possam falar abertamente. Parece exclusivo, mas reflete mais inclusão: por exemplo, quando as raparigas têm de discutir algo com os colegas de equipa, preparam-se comigo. 

Conhece aquela imagem de três pessoas a olhar por cima de uma vedação? Pode dar-se a cada pessoa um degrau do mesmo tamanho, mas, como têm alturas diferentes, umas ficam mais beneficiadas do que outras. É a diferença entre igualdade e equidade: nem sempre partimos do mesmo ponto e é preciso ajustar.

Como vê o setor daqui a 5 a 10 anos? Quais serão as competências-chave num futuro próximo?

Temos de pensar na IA e em como vamos assistir a uma maior automatização no desenvolvimento. Essa parte vai, sem dúvida, sofrer uma rutura, com muitas mudanças. O que também vai mudar, sem dúvida, é a consultoria. A consultoria continua a ser uma parte que não se pode automatizar; continua a ser preciso conhecimento. 

Onde vejo potencial é no facto de virmos a ter ainda mais mulheres na consultoria. Acho que a consultoria é o trabalho ideal para as mulheres. Temos capacidade para fazer várias coisas ao mesmo tempo e temos empatia. Por isso, conseguimos entrar numa reunião e dar ao cliente a sensação não só de «tenho alguém que sabe configurar o meu sistema», mas também de alguém que consegue tratar do seu dia a dia empresarial para lhe dar segurança e aconselhamento. Isto devia ser mais incentivado na universidade, para mostrar às raparigas mais novas que a consultoria já não é um setor exclusivamente masculino. Isto está a crescer, mas ainda podia ser melhor.

Vejo potencial em ter ainda mais mulheres na consultoria. Temos capacidade para fazer várias coisas ao mesmo tempo, temos know-how e temos empatia. Isto devia ser mais incentivado na universidade, para mostrar às raparigas mais novas que a consultoria já não é um setor exclusivamente masculino.


Qual é a sua ambição a longo prazo?

A certa altura, gostaria de apoiar abrigos de animais. É uma das minhas paixões, adoro animais. E gostava de ter um abrigo que apoiasse, não só com dinheiro, mas também a trabalhar lá de vez em quando. Simplesmente para ter um equilíbrio entre trabalhar e fazer o bem aos outros. 


Acha que a much. é o lugar certo para si? Candidate-se já e partilhe a sua história!


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